Os bancos seguem acumulando lucros bilionários enquanto aceleram o fechamento de agências e a redução de postos de trabalho em todo o país. Segundo levantamento do DIEESE apresentado ao Comando Nacional dos Bancários, os cinco maiores bancos fecharam 1.345 agências em apenas 12 meses. O Santander lidera esse processo, com 579 unidades encerradas entre 2024 e 2025.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Ipatinga, Selim de Oliveira, classifica que o resultado é danoso para os bancários e, principalmente, para a população. “A justificativa dos bancos é a digitalização dos serviços, não sendo mais necessária a atual infraestrutura física. Mas, na prática, o fechamento de agências e demissão dos bancários acarreta no crescimento da exclusão bancária, precarização do atendimento e a sobrecarga de quem fica nas agências restantes.”
Hoje, milhares de brasileiros enfrentam dificuldades para acessar serviços básicos após o fechamento das unidades físicas. Idosos, aposentados, pessoas com deficiência, moradores de cidades pequenas e regiões periféricas são os mais prejudicados. Dados apontam que 2.649 municípios brasileiros já não possuem agência bancária, deixando cerca de 6,9 milhões de pessoas sem atendimento presencial.
Enquanto isso, as agências restantes operam lotadas, com filas maiores, demora no atendimento e número insuficiente de funcionários. A pressão sobre os bancários aumenta diariamente, com metas abusivas, acúmulo de funções e crescimento dos casos de adoecimento físico e mental.
O impacto no emprego também é grave. Somente em 2025, o setor bancário eliminou 8.910 postos de trabalho, mesmo com o restante da economia brasileira gerando mais de 1,2 milhão de empregos formais no período. Mulheres foram as mais afetadas pelos desligamentos.
Além das demissões, os bancos seguem substituindo empregos bancários formais por terceirização e plataformas digitais, reduzindo direitos, salários e condições dignas de trabalho. Funções tradicionais, como caixas e escriturários, estão entre as mais atingidas pelo enxugamento do setor.
O fechamento de agências também enfraquece a economia local. Em muitas cidades, principalmente do interior, a agência bancária movimenta o comércio, facilita o acesso ao crédito e garante circulação de renda. Quando uma unidade fecha, toda a comunidade sente os impactos.
O Sindicato dos Bancários de Ipatinga reafirma sua luta em defesa dos empregos, do atendimento humanizado e da valorização da categoria. “O banco não pode funcionar apenas para gerar lucro aos acionistas. O serviço bancário é essencial para a população e precisa cumprir sua função social”, finaliza Selim.





