TV SEEB: Campanha Nacional 2018

Negociações já começaram

Após um acordo de dois anos, a categoria bancária está novamente em negociação com os banqueiros. A minuta de reivindicações já foi entregue à Fenaban para o início dos trabalhos. Este ano, porém, algo pode dificultar este processo. O presidente do Sindicato dos Bancários de Ipatinga fala sobre a minuta de reivindicações, bem como deverá ser o processo na primeira negociação após a aprovação da reforma trabalhista e seus efeitos. Ainda reforça que a união dos bancários é fundamental para o êxito nas negociações com os banqueiros e que os bancários devem fazer parte do dia a dia dos sindicatos.

Confira a entrevista completa.

 

SEEB: Em que a reforma trabalhista pode interferir no processo de negociações?

Bragança: A reforma trabalhista, como o sindicato vem dizendo há algum tempo, impacta diretamente a nossa Convenção Coletiva de Trabalho em vários artigos. Nós estamos explicando nos nossos boletins e também quando vamos às agências para que os bancários fiquem bem cientes de que esses artigos podem ser suprimidos na nossa CCT. A partir do dia 31 de agosto eles podem simplesmente perder a validade e os banqueiros podem não querer negociá-los novamente. Isso faz parte do processo de negociação de uma campanha salarial. Mas a campanha tem exatamente este objetivo: garantir os nossos direitos que estão convencionados até então.

 

SEEB: Como vai ocorrer todo o processo de negociação?

Bragança: Bom, este ano vai ser a primeira campanha salarial que vai se dar após a nova lei trabalhista. Isso exigiu de nós, do movimento sindical, uma pressa com relação à nossa campanha salarial porque, com o vencimento da convenção no dia 31 e o fim da ultratividade, ou seja, a nossa CCT passa a não valer mais a partir de 1º de setembro, nós tivemos que adiantar todo o processo. Entregamos a minuta no dia 13 (de junho) e há uma negociação marcada para o dia 28 (de junho). Nessa primeira negociação ainda não estão definidos os parâmentros que vão ser negociados, por exemplo: nós discutimos tanto no âmbito social, quanto no âmbito da saúde e também os índices econômicos. Ainda não estão definidos, mas tudo vai ser feito através de um calendário. O certo é que nós estamos adiantando todo o processo para que chegue o dia 1º de setembro e esteja tudo terminado e assinado.

 

SEEB: Haverá alguma diferença no processo de negociação dos bancos públicos?

Bragança: Esperamos, já pedimos isso no dia da entrega da minuta, que nós possamos continuar com a mesa única de negociação onde sentam os bancos privados, Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil também. Isso já é um processo que vem de vários anos e mostrou para ambos os lados que é um processo bom, vitorioso. Tanto é que nós assinamos a nossa convenção coletiva há 26 anos. Então a nossa necessidade é que essa mesa continue sendo uma mesa única.

 

SEEB: Com a reforma trabalhista como fica a relação do trabalhador com o sindicato que o representa?

Bragança: É o que estamos sempre falando nas agências. Este é um momento em que devemos ter cada vez mais a união do trabalhador com o seu sindicato. Hoje nós temos pela nova lei trabalhista, por exemplo, a figura do hipersuficiente, que é aquele funcionário que ganha acima de duas vezes o teto do INSS. Pela nova lei ele deveria negociar diretamente com o patrão. Agora, imagine como se daria essa negociação, sem um sindicato presente. Na entrega da minuta nós cobramos isso também: que o sindicato possa negociar por todos os bancários, hipersuficientes, inclusive os terceirizados também. E uma nova categoria que pode surgir com a nova lei também, que são aqueles intermitentes. Ainda não temos estes contratos nos bancos, mas pode surgir. Então nós pedimos que o sindicato possa negociar por todos. Nesse momento faz-se mais necessária a união dos trabalhadores, dos bancários com os seus sindicatos.

 

SEEB: Como o trabalhador pode atuar nessa união juntamente com o sindicato?

Bragança: Estando sindicalizado. É muito importante estar sindicalizado, participar das assembleias e de todos os chamamentos que o sindicato vai fazer, para a gente discutir a campanha salarial durante a greve; se for o caso de acontecer uma greve, mas não é o que queremos; às vezes as situações nos levam a isso, que o bancário possa participar também. Não só cruzando os braços no dia da grave, mas também ajudando na organização desse movimento, porque só isso vai nos trazer resultados e garantir a nossa convenção coletiva.

 



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