Erros, polêmicas, bate-boca e pouco trabalho nos 100 dias de Bolsonaro

Nos 100 primeiros dias de governo, Jair Bolsonaro viu seu principal apoio desidratar. Os agentes do sistema financeiro, que aprovavam seu governo eram 86% no início de janeiro e hoje são 28%, segundo pesquisarealizada pela XP Investimentos.

Segundo outra pesquisa, desta vez pelo Datafolha, metade dos eleitores acham que Bolsonaro trabalha pouco e 44% disseram que ele é despreparado para o cargo de presidente da República. Aliás, se ele saísse um pouco das redes, poderia trabalhar mais.

O que fez até agora não condiz com as necessidades do Brasil, não anunciou nenhuma medida capaz de retomar a economia estagnada do país, impulsionar o crescimento e criar empregos, impedir que empresas fechem ou saiam do país, o que todos os brasileiros e brasileiras esperam.

O presidente da República nem sequer se manifestou contra a demissão anunciada de mais de 3 mil trabalhadores, com o encerramento das atividades da Ford, em São Bernardo do Campo. O que significa na cadeia produtiva quase 30 mil desempregados a mais no Brasil. Para ele isso é pouco?

Ao contrário dos interesses da nação, os três primeiros meses do governo Bolsonaro são uma sucessão de erros, polêmicas desnecessárias, bate-bocas, declarações vergonhosas, recuos, demissões de ministros, entre outras aberrações, como dizer que o nazismo é de esquerda.

Gostaria de presenciar um encontro entre Bolsonaro e Hitler (1889-1945) para que o capitão dissesse que o nazismo é de esquerda na cara do austríaco ditador na Alemanha. Hoje é fácil falar qualquer coisa idiota como essa. O que teria ocorrido com Bolsonaro e o que a Gestapo, a polícia política do nazismo, faria com ele?

Além disso, o Planalto cedeu suas redes para a divulgação de um vídeo ‘comemorativo’ do golpe de 1964 no Brasil, que prendeu, torturou, assassinou e desapareceu com metalúrgicos, professores, sindicalistas, padres, jornalistas, políticos e quem mais ousasse falar contra os militares que tomaram o poder.

No âmbito internacional, Bolsonaro entrega a nossa soberania, concede ‘agrados’ aos estadunidenses sem nenhuma contrapartida, além de ceder a base de Alcântara para lançamentos e testes militares dos Estados Unidos, propõe perder tratamento especial na Organização Mundial do Comércio, a OMC, para pertencer ao clube dos países ricos (OCDE), sem ganho nenhum para a população brasileira – subserviência perigosa para um país da importância do Brasil.   

Se o presidente tivesse foco na economia, na geração de empregos e nos investimentos, as primeiras viagens internacionais teriam que ser à Argentina e à China, principais parceiros comerciais do Brasil.

Outra questão tão importante para a população é o Acordo de Paris, que tem como uma de suas principais metas reduzir a emissão de gases do efeito estufa, de forma a evitar o aquecimento global.

O Brasil não pode vacilar na questão ambiental, porque já vem sofrendo eventos climáticos extremos e tragédias pela agressão ao meio ambiente, como a da Vale, em Brumadinho, que causou a morte de 224 pessoas, e as enchentes arrasadoras em São Paulo e no Rio de Janeiro, que também contabilizaram a morte de mais de 20 pessoas.

A população tem percebido o aumento da violência da polícia e mesmo do Exército, como o assassinato do músico Evaldo dos Santos Rosa por soldados em um tanque de guerra, que dispararam mais de 80 tiros, fuzilando o carro da família. Para citar apenas uma ocorrência de excessos cometidos por autoridades.

Há um sinal de abrandamento em relação à mídia comercial com o governo de Jair Bolsonaro, no que se refere à corrupção. O exemplo mais claro é o caso dos laranjas do PSL, tema que foi abandonado pelos jornais, após a exoneração do ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno.

Ainda para encobrir o caso dos laranjas do PSL, que atinge também o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, Bolsonaro se arriscou em um vídeo escatológico do carnaval. A estratégia, mais uma vez utilizando as redes sociais, afastou o foco sobre o ministro poupado, por enquanto.

Outro estelionato eleitoral é a reforma da Previdência, que vai transferir uma receita de mais de R$ 450 bilhões aos bancos privados, em um esquema de capitalização para as instituições financeiras sem precedentes na história – nem o confisco da poupança da era Collor foi tão longe.

Não bastasse tudo isso, em pouco mais de três meses de mandato de Bolsonaro, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, foi demitido por incompetência, mas outro personagem tão polêmico quanto foi colocado na pasta, o economista Abraham Weintraub, que em sua primeira entrevista já afirmou que quem sabe ler e tem acesso à internet não vota no PT.

A indicação é que o novo ministro vai continuar a estratégia de polêmicas desnecessárias para o Brasil, estabelecida pelo presidente.

Por essas e outras é totalmente compreensível que Jair Bolsonaro em menos de 100 dias de governo registre a pior avaliação entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato desde a redemocratização de 1985, segundo o Datafolha.

Cem dias de absenteísmo.

Com informações Rede Brasil Atual


Compartilhe!