Em 2017, R$ 354,8 bilhões foram transferidos da renda dos trabalhadores para pagar juros aos bancos

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) divulgou dados nessa terça-feira, 24, informando que o pagamento de juros aos bancos é a maior despesa das famílias brasileiras. Foram R$ 354,8 bilhões transferidos da renda dos trabalhadores para as instituições financeiras em 2017, o que representa 17,9% de aumento real, ou seja, já descontada a inflação. De acordo com o levantamento, o montante gasto pelas famílias com juros em 2017 superou os R$ 291,3 bilhões gastos com alimentação fora de casa, os R$ 154,3 bilhões dos gastos com transporte urbano e os R$ 129,9 bilhões pagos em aluguel.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Ipatinga, José Carlos Bragnaça, isso demonstra há necessidade de mundanças. "É preciso mudar o sistema financeiro. Ele não cumpre o papel social. Os próprios juros altos dos bancos acabam causando o risco de inadimplência. É necessário um novo modelo de banco no pais, voltado para os interesses e necessidades do povo", esclarece.

De acordo com Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomércio-SP, os gastos das famílias com juros devem continuar em alta, reforçado pela baixa concorrência bancária no Brasil. Diante do crédito escasso, bancos cobram quanto querem para emprestar, mesmo pagando menos para captar dinheiro, já que a taxa oficial de juro no Brasil, a Selic, está baixa. Em 2017, as despesas com juros absorveram 10,8% da renda das famílias, contra 9,5% no ano passado.

Bancos cobram risco de não receber, mesmo com inadimplência em queda

Carvalho explica que uma série de fatores influencia a taxa cobrada. “Uma delas é o risco que os bancos dão a uma operação, o que aumenta em momentos de incerteza. Como tivemos uma recessão grande, esse risco de não pagamento aumentou, o que foi colocado dentro da taxa de juros”, explicou em reportagem de O Globo.

A inadimplência no Brasil, no entanto, está em queda: foi de 3,3% em maio, menos que os 4% registrados 12 meses atrás pelo Banco Central.

Já entre as empresas, os gastos com juros no ano passado foram de R$ 120,8 bilhões, queda de 3% - um indicativo da retração no ritmo da atividade econômica, que inibe a tomada do crédito.

Para o professor Silvio Paixão, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), para reduzir o peso dos juros na renda das famílias e das empresas, seria necessário haver a conjugação de três fatores: o crescimento do emprego, o que reduziria a percepção de risco por parte dos bancos; o aumento da renda disponível; e a maior oferta de crédito. “A perspectiva não é de queda, porque a renda das pessoas não aumentou. Elas então precisam fazer uso do crédito e, como não há espaço para amortizar essa dívida, acabam renovando essas operações”, avalia o professor na reportagem de O Globo.

O presidente do Sindicato dos Bancários chama atenção para o atual momento político. "Estamos em um ano de eleições e mais do que nunca é preciso avaliar bem as propostas de todos os candidatos. Candidatos sérios certamente terão em seus planos de governo a redução dos tão alto juros cobrados da população brasileira, que são um dos mais altos de todo o mundo. Ainda, dentre suas propostas, devem figurar o fortalecimento dos bancos públicos, que tanto trabalham para o desenvolvimento do país", pontua. 

Com informações Contraf-CUT



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